Com a sexta maior bancada do Congresso, PSB rompe com Temer e pede renúncia

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 No terceiro dia da crise política causada pela delação premiada de executivos da JBS, que levou à abertura de inquérito contra o presidente Michel Temer (PMDB), o PSB (Partido Socialista Brasileiro), decidiu romper oficialmente com o governo federal e “sugerir” a renúncia do peemedebista “o mais rápido possível”. Veiculou o portal UOL.

Com 42 parlamentares, o partido tem a sexta maior bancada das duas Casas do Congresso, e representa 7% dos votos no Legislativo. A legenda é a quarta maior em número de senadores (sete), empatado com o PP. Na Câmara, a sigla é a sétima mais representada, com 35 deputados federais.
O posicionamento foi divulgado depois de reunião da Executiva Nacional do partido que começou por volta das 10h e entrou pela tarde deste sábado (20), em Brasília.

No encontro, os dirigentes discutiram a permanência do ministro de Minas e Energia, o deputado licenciado Fernando Bezerra Coelho Filho (PSB-PE), no cargo, mas até as 13h20, ainda não haviam decidido que providências serão tomadas caso ele decida ficar na pasta.

Seu pai, o senador Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE), que é vice-presidente de relações parlamentares do PSB, não compareceu à reunião.

PEC da eleição direta
Resolveram ainda fechar questão em apoio à aprovação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição), de autoria do deputado Miro Teixeira (Rede-RJ), que prevê eleição direta caso Temer deixe a Presidência da República.

“O povo precisa entrar em cena porque a crise é muito grande e não é só do presidente, é de todo o sistema político que precisa ser renovado no processo eleitoral”, declarou o presidente do PSB, Carlos Siqueira.

Na quinta (18), dia seguinte à divulgação das primeiras informações sobre a delação, pelo jornal “O Globo”, Siqueira já havia divulgado nota pedindo que o ministro Coelho Filho voltasse a exercer o mandato na Câmara pelo partido.

Segundo Siqueira, a sigla não pode “admitir” que um de seus membros faça parte de um governo “antipopular que perdeu, por inteiro, sua legitimidade para governar o Brasil”.

Ele ressaltou, porém, que a indicação de Coelho Filho para o ministério “jamais” foi feita pela direção nacional da sigla. O PSB também foi um dos partidos que assinou pedido de impeachment contra Temer, na quinta. Em menos de 24 horas, o presidente foi alvo de outros sete requerimentos semelhantes protocolados na Câmara dos Deputados.

Ao deixar a reunião neste sábado, o deputado Julio Delgado (PSB-MG), que é secretário especial do partido, afirmou que o ministro “talvez seja até implicado a pedir licença do partido para continuar exercendo [o comando do ministério]”.

“Talvez ele queira ficar no navio tocando o violino do Titanic. Essa é uma opção dele”, ironizou Delgado.

Antes do PSB, o Podemos (ex-PTN) e o PPS já haviam anunciado o rompimento com o Planalto. O agora ex-ministro da Cultura, Roberto Freire (PPS-SP) se demitiu por conta da repercussão das revelações.

Nesta sexta (19), no entanto, ele reassumiu a presidência nacional do partido e afirmou que a legenda vai continuar apoiando o governo, apesar de dizer que sua demissão foi “inevitável”.

PSB x governo
A relação conflituosa do PSB com o governo Temer não começou com a revelação da delação de Joesley Batista, dono da JBS. Em dezembro do ano passado, o presidente do PSB gaúcho, o ex-deputado federal Beto Albuquerque, defendeu que a sigla deixasse a base aliada e entregasse todos os cargos no governo, incluindo o Ministério de Minas e Energia.

Em abril deste ano, a Executiva do PSB fechou questão contra as reformas da Previdência e trabalhista, duas das principais propostas do Planalto. Na sessão plenária que aprovou o projeto que altera leis trabalhistas na Câmara, no entanto, 14 dos 30 deputados do PSB que estavam presentes votaram a favor da reforma – e continuaram na sigla.

As dez maiores bancadas no Congresso
O Congresso Nacional – Câmara dos Deputados e Senado Federal – é composto por 513 deputados e 81 senadores.

PMDB – 85 (22 senadores e 63 deputados)

PT – 67 (9 e 58)

PSDB – 58 (11 e 47)

PP – 54 (7 e 47)

PR – 43 (4 e 39)

PSB – 42 (7 e 35)

PSD – 42 (5 e 37)

DEM – 33 (4 e 29)

PDT – 21 (2 e 19)

PTB – 19 (2 e 17)

Em tempo
O diretório do PSDB do Rio de Janeiro, sob a presidência do deputado federal Otávio Leite (RJ), reunido neste sábado (20), entende que “o presidente da República não dispõe de condições políticas e éticas para dissipar a grave instabilidade que impera no país e prosseguir liderando o processo de reformas que tanto necessitamos.”

Fonte: DIAP